Visão geral

O que é o MIR?

O MIR, sigla para Médico Interno Residente, é o exame nacional que dá acesso à especialização médica na Espanha, organizado pelo Ministério da Saúde.

Antes do MIR vem a homologação. Para quem se formou no exterior, ela é uma etapa obrigatória: enquanto o diploma não for reconhecido oficialmente pelo Ministério das Universidades, não é possível sequer se inscrever no exame. Entenda esse passo na nossa página sobre homologação.
Atenção: a homologação do diploma habilita o médico a atuar no SETOR PRIVADO espanhol, na condição de médico geral. Já o ingresso no sistema público e a obtenção do título de especialista dependem da aprovação no MIR. Por isso, o MIR é o caminho mais sólido para quem deseja seguir carreira médica na Espanha.
Cronograma

O cronograma do MIR

Formados no exterior

Requisitos para inscrição:

Prova

Como é o exame?

O exame tem 210 questões de múltipla escolha, com quatro alternativas cada. Dessas, 200 valem nota e 10 são de reserva, utilizadas apenas em caso de erro de formulação.

210questões de múltipla escolha
4alternativas por questão
4h30de duração total

A correção premia o acerto e penaliza o erro, o que torna o chute arriscado:

3pontos por questão certa
1ponto descontado por questão errada
0questão em branco não altera a nota

A nota final combina dois componentes: a pontuação na prova, que responde pela maior parte, e o histórico acadêmico.

90%pontuação obtida na prova
10%histórico acadêmico
Vagas

Como as vagas são escolhidas?

No MIR, não é preciso definir a especialidade antes da prova. Todos os candidatos, do país inteiro, fazem exatamente o mesmo exame, no mesmo dia.

Depois da correção, o Ministério publica um ranking nacional com todos ordenados pela nota final. É esse ranking que define a ordem de escolha das vagas.

A escolha funciona assim: quem tem a melhor nota escolhe primeiro a especialidade e o hospital, entre todas as vagas ofertadas no país. Depois escolhe o segundo colocado, depois o terceiro, e assim por diante. Cada um escolhe entre as vagas que ainda não foram ocupadas pelos candidatos anteriores.

Por isso, a posição no ranking é decisiva: quem fica bem colocado escolhe entre praticamente todas as opções, e quem fica mais abaixo escolhe entre as vagas que sobraram.

E se a especialidade desejada acabar? Se todas as vagas forem ocupadas por candidatos com nota superior, restam duas opções: escolher entre as especialidades ainda disponíveis, ou abrir mão da vaga e refazer o MIR no ano seguinte em busca de uma classificação melhor.
O MIR em números

Convocatória 2026

Para você ter uma dimensão real do exame, estes foram os números:

15.084médicos que entraram no ranking
9.276vagas de residência ofertadas
14.601último número de ordem a escolher vaga

E como o último a escolher pode ser o 14.601, se havia 9.276 vagas? Dos 16.763 aptos a prestar a prova, 15.084 compareceram e obtiveram uma posição no ranking. E nem todos chegam a escolher: alguns prestam o exame apenas para avaliar o próprio desempenho, outros abrem mão da vaga para tentar um resultado melhor no ano seguinte. A cada candidato que passa a vez, a fila anda, e a escolha vai muito além das primeiras 9.276 posições.

Alta concorrência

Dermatologia (486), Cirurgia Plástica (623), Oftalmologia (2.069), Cirurgia Oral e Maxilofacial (2.310) e Cardiologia (2.490) esgotam logo nos primeiros dias da escolha, enquanto a fila ainda está no topo do ranking.

Baixa concorrência

Medicina do Trabalho (10.555), Medicina Preventiva e Saúde Pública (11.974) e Medicina de Família (14.601) são as últimas a esgotar, com vagas disponíveis até o fim da escolha. Medicina de Família, a especialidade com mais vagas da convocatória, recebeu o último candidato de todo o processo.

Entre parênteses, o último número de ordem que conseguiu vaga em cada especialidade na convocatória 2026, antes da repescagem.

A repescagem: desde a convocatória 2026, existe uma segunda adjudicação, a "repesca": semanas após a escolha ordinária, as vagas abandonadas por renúncia ou não incorporação são redistribuídas entre candidatos com número de ordem que ficaram sem vaga. Na estreia do sistema, 312 vagas foram redistribuídas, e a última saiu para o número de ordem 14.879.
A cota de estrangeiros

Turno geral ou cota?

A cota não significa uma reserva de vagas para estrangeiros. Todos os candidatos fazem a mesma prova e entram no mesmo ranking. Veja abaixo em qual grupo você se encaixa:

Turno geral
Sem limite de vagas
  • Cidadãos da União Europeia
  • Cônjuges e filhos dependentes de cidadãos europeus
  • Extracomunitários (cidadãos de fora da União Europeia) com autorização de residência na Espanha, permanente ou temporária, desde que não seja por estudos
Sujeitos à cota
Limite de 10% das vagas
  • Quem está na Espanha com autorização de estância por estudos
  • Quem não reside no país e vem apenas para prestar a prova

Para quem está sujeito à cota, o que existe é um teto. Atingido o limite, os demais candidatos da cota não podem mais escolher, mesmo com boa classificação e mesmo que ainda restem vagas disponíveis.

10%

É o teto atual da cota. O percentual foi ampliado recentemente: entre 2013 e 2022, era de apenas 4%. Na convocatória 2026, isso representou 928 das 9.276 vagas ofertadas.

Um detalhe que muda tudo: obter uma autorização de residência antes do exame altera a sua condição. Você deixa a cota e passa a concorrer no turno geral, sem limite de vagas.
A cota para pessoas com deficiência

"Turno de discapacidad"

A convocatória reserva 10% das vagas para pessoas com deficiência oficialmente reconhecida na Espanha, com grau igual ou superior a 33%, que é o mínimo legal para acessar esse direito.

Na prática, funciona assim: o candidato com deficiência participa da escolha normalmente, na sua posição do ranking. A proteção aparece no final do processo: quando o número de vagas restantes no país se iguala ao das vagas da reserva ainda não utilizadas, a escolha geral é pausada, e essas vagas passam a ser oferecidas apenas aos candidatos com deficiência. Se alguma não for preenchida, volta para o turno geral.

Cota de estrangeiros

É um teto

Limita o grupo: atingido o máximo de 10% das vagas, quem está na cota não escolhe mais.

Cota para pessoas com deficiência

É uma reserva

Protege o grupo: até 10% das vagas são destinadas a esses candidatos, com exclusividade na reta final da escolha.

Antes do contrato

A colegiação

Conquistada a vaga, chega o momento da colegiação, a inscrição no Colégio de Médicos. Ela não é exigida para prestar o exame, apenas na assinatura do contrato de residência, quando o médico passa a exercer a profissão de fato.

Depois da aprovação

A residência médica

Durante

Gratuita e remunerada

Durante toda a formação, que dura de quatro a cinco anos, o residente recebe um salário, que varia conforme o ano de residência e a comunidade autônoma.

Ao final

Título com validade na Europa

O título de especialista obtido na Espanha pode ser levado para outros países da União Europeia. Não é um processo automático: existem etapas e prazos previstos na legislação europeia, mas é um caminho possível e regulamentado.

17 comunidades autônomas

A Espanha é dividida em dezessete comunidades autônomas, que funcionam como "estados" de um país. Cada uma tem liberdade para administrar seu próprio serviço de saúde, o que inclui decidir o salário dos médicos residentes.

Por isso, dois médicos residentes no mesmo ano de formação e na mesma especialidade podem receber salários diferentes, simplesmente por terem escolhido regiões distintas para fazer a residência.

Além das comunidades autônomas, Ceuta e Melilla também têm um sistema de saúde separado do restante do país. Diferente das demais, elas ficam localizadas no continente africano e seu sistema de saúde é administrado diretamente pelo governo nacional, e não por um governo autônomo local.

Quanto ganha um residente?

Os quadros abaixo mostram a remuneração mensal dos residentes em cada comunidade autônoma, ano a ano. Vale destacar o papel dos plantões ("guardias"): eles são parte obrigatória da formação, em geral de 4 a 6 por mês conforme o programa de cada especialidade, e aumentam a remuneração de forma significativa em relação ao salário base.

1º ano2º ano3º ano4º ano5º ano
ComunidadeLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBruto
Andalucía1.1701.3801.2241.4901.2941.6281.3861.7661.4751.904
Aragón1.1731.3871.2281.4981.3001.6371.3921.7761.4811.914
Asturias1.2071.3871.2631.4981.3321.6371.4141.7761.5041.914
Baleares1.3871.6381.4491.7761.5301.9151.6172.0541.7042.193
Canarias1.2851.5911.3501.7021.4401.8411.5291.9791.6182.118
Cantabria1.1701.3801.2241.4891.2921.6261.3841.7631.4721.899
Castilla y León1.1701.3801.2241.4901.2941.6281.3861.7661.4751.904
Castilla-La Mancha1.1701.3871.2251.4981.2981.6371.3901.7761.4801.914
Cataluña1.2311.5041.2871.6181.3801.7571.4701.8971.5652.044
Extremadura1.1881.4141.2431.5251.3191.6641.4101.8031.5001.941
Galicia1.1521.3871.2071.4981.2891.6361.3771.7741.4661.912
Madrid1.2421.5261.2991.6371.3921.7751.4811.9141.5712.053
Murcia1.2161.4741.2281.4981.3001.6371.3921.7761.4811.914
Navarra1.2271.3871.2951.4981.3741.6371.4461.7761.5151.914
País Vasco1.3781.4841.3541.5971.4211.7381.5171.8791.6102.020
La Rioja1.1731.3871.2281.4981.3001.6371.3921.7761.4811.914
Com. Valenciana1.2301.5021.2891.6221.3881.7701.4831.9171.5782.065
Ceuta e Melilla (*)2.1492.4902.2402.6012.3532.7392.4662.8782.5793.017
Média da Espanha1.2251.4471.2751.5551.3531.6941.4431.8331.5311.973
Máximo da Espanha1.3871.6381.4491.7761.5301.9151.6172.0541.7042.193
Mínimo da Espanha1.1521.3801.2071.4891.2891.6261.3771.7631.4661.899

Salário mensal sem plantões: valores líquidos e brutos em euros, por comunidade autônoma e ano de residência (abril de 2026). Fonte: Estudo comparativo do Sindicato Médico de Granada.

1º ano2º ano3º ano4º ano5º ano
ComunidadeLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBrutoLíquidoBruto
Andalucía1.9252.5572.0702.7802.2963.1342.4843.4562.5633.594
Aragón2.0832.7962.2323.0242.3863.2802.5333.5362.6113.675
Asturias2.0892.7832.2853.0842.4843.4142.6773.7432.7573.881
Baleares2.4073.2392.5753.5262.7713.8652.9634.1983.0414.337
Canarias2.0122.6892.2433.0412.4693.4232.6913.8012.7703.940
Cantabria2.0672.7702.2433.0412.4423.3772.6403.7152.7173.851
Castilla y León2.0032.6742.1972.9712.3983.3042.5893.6302.6673.768
Castilla-La Mancha2.1412.8842.4193.2792.6413.6302.8404.0542.9194.192
Cataluña2.2793.0662.5423.4922.8103.9432.9824.2373.0654.385
Extremadura2.0002.6702.1442.8912.3093.1562.4713.4332.5493.572
Galicia2.0142.7052.2113.0072.4043.3362.5903.6552.6673.793
Madrid1.9482.5972.1512.9072.3613.2502.5563.5832.6353.722
Murcia2.1072.8342.2743.0902.4523.3942.6153.6742.6943.813
Navarra2.1922.9382.4043.3062.6153.7032.8614.0522.8754.190
País Vasco2.2162.9102.4013.1532.6343.5532.9183.9912.9794.131
La Rioja1.9982.6672.2233.0112.3753.2662.5923.6362.6713.775
Com. Valenciana2.0002.6742.2102.9952.4183.3462.6243.6962.7083.843
Ceuta e Melilla (*)3.0333.5743.2463.8423.4884.1473.7334.4553.8424.594
Média da Espanha2.0872.8062.2843.1142.4863.4522.6843.7902.7583.929
Máximo da Espanha2.4073.2392.5753.5262.8103.9432.9824.2373.0654.385
Mínimo da Espanha1.9252.5572.0702.7802.2963.1342.4713.4332.5493.572

Salário mensal com plantões: valores líquidos e brutos em euros, por comunidade autônoma e ano de residência (abril de 2026). Fonte: Estudo comparativo do Sindicato Médico de Granada.

Deslize a tabela para o lado para ver todos os anos.

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