O MIR, sigla para Médico Interno Residente, é o exame nacional que dá acesso à especialização médica na Espanha, organizado pelo Ministério da Saúde.
Publicada no Boletim Oficial do Estado, define as regras daquele ano: número de vagas, valor da taxa, requisitos e sedes de prova.
Período para apresentar a documentação e se inscrever no exame.
O exame acontece no final de janeiro do ano seguinte ao da convocatória.
Publicação do ranking nacional: cada candidato recebe o número de ordem que define a sua vez na escolha.
Seguindo o número de ordem, cada candidato escolhe a especialidade e o hospital entre as vagas disponíveis.
Assinatura do contrato e começo da formação no hospital escolhido.
O exame tem 210 questões de múltipla escolha, com quatro alternativas cada. Dessas, 200 valem nota e 10 são de reserva, utilizadas apenas em caso de erro de formulação.
A correção premia o acerto e penaliza o erro, o que torna o chute arriscado:
A nota final combina dois componentes: a pontuação na prova, que responde pela maior parte, e o histórico acadêmico.
No MIR, não é preciso definir a especialidade antes da prova. Todos os candidatos, do país inteiro, fazem exatamente o mesmo exame, no mesmo dia.
Depois da correção, o Ministério publica um ranking nacional com todos ordenados pela nota final. É esse ranking que define a ordem de escolha das vagas.
A escolha funciona assim: quem tem a melhor nota escolhe primeiro a especialidade e o hospital, entre todas as vagas ofertadas no país. Depois escolhe o segundo colocado, depois o terceiro, e assim por diante. Cada um escolhe entre as vagas que ainda não foram ocupadas pelos candidatos anteriores.
Por isso, a posição no ranking é decisiva: quem fica bem colocado escolhe entre praticamente todas as opções, e quem fica mais abaixo escolhe entre as vagas que sobraram.
Para você ter uma dimensão real do exame, estes foram os números:
E como o último a escolher pode ser o 14.601, se havia 9.276 vagas? Dos 16.763 aptos a prestar a prova, 15.084 compareceram e obtiveram uma posição no ranking. E nem todos chegam a escolher: alguns prestam o exame apenas para avaliar o próprio desempenho, outros abrem mão da vaga para tentar um resultado melhor no ano seguinte. A cada candidato que passa a vez, a fila anda, e a escolha vai muito além das primeiras 9.276 posições.
Dermatologia (486), Cirurgia Plástica (623), Oftalmologia (2.069), Cirurgia Oral e Maxilofacial (2.310) e Cardiologia (2.490) esgotam logo nos primeiros dias da escolha, enquanto a fila ainda está no topo do ranking.
Medicina do Trabalho (10.555), Medicina Preventiva e Saúde Pública (11.974) e Medicina de Família (14.601) são as últimas a esgotar, com vagas disponíveis até o fim da escolha. Medicina de Família, a especialidade com mais vagas da convocatória, recebeu o último candidato de todo o processo.
Entre parênteses, o último número de ordem que conseguiu vaga em cada especialidade na convocatória 2026, antes da repescagem.
A cota não significa uma reserva de vagas para estrangeiros. Todos os candidatos fazem a mesma prova e entram no mesmo ranking. Veja abaixo em qual grupo você se encaixa:
Para quem está sujeito à cota, o que existe é um teto. Atingido o limite, os demais candidatos da cota não podem mais escolher, mesmo com boa classificação e mesmo que ainda restem vagas disponíveis.
É o teto atual da cota. O percentual foi ampliado recentemente: entre 2013 e 2022, era de apenas 4%. Na convocatória 2026, isso representou 928 das 9.276 vagas ofertadas.
A convocatória reserva 10% das vagas para pessoas com deficiência oficialmente reconhecida na Espanha, com grau igual ou superior a 33%, que é o mínimo legal para acessar esse direito.
Na prática, funciona assim: o candidato com deficiência participa da escolha normalmente, na sua posição do ranking. A proteção aparece no final do processo: quando o número de vagas restantes no país se iguala ao das vagas da reserva ainda não utilizadas, a escolha geral é pausada, e essas vagas passam a ser oferecidas apenas aos candidatos com deficiência. Se alguma não for preenchida, volta para o turno geral.
Limita o grupo: atingido o máximo de 10% das vagas, quem está na cota não escolhe mais.
Protege o grupo: até 10% das vagas são destinadas a esses candidatos, com exclusividade na reta final da escolha.
Conquistada a vaga, chega o momento da colegiação, a inscrição no Colégio de Médicos. Ela não é exigida para prestar o exame, apenas na assinatura do contrato de residência, quando o médico passa a exercer a profissão de fato.
Durante toda a formação, que dura de quatro a cinco anos, o residente recebe um salário, que varia conforme o ano de residência e a comunidade autônoma.
O título de especialista obtido na Espanha pode ser levado para outros países da União Europeia. Não é um processo automático: existem etapas e prazos previstos na legislação europeia, mas é um caminho possível e regulamentado.
A Espanha é dividida em dezessete comunidades autônomas, que funcionam como "estados" de um país. Cada uma tem liberdade para administrar seu próprio serviço de saúde, o que inclui decidir o salário dos médicos residentes.
Por isso, dois médicos residentes no mesmo ano de formação e na mesma especialidade podem receber salários diferentes, simplesmente por terem escolhido regiões distintas para fazer a residência.
Os quadros abaixo mostram a remuneração mensal dos residentes em cada comunidade autônoma, ano a ano. Vale destacar o papel dos plantões ("guardias"): eles são parte obrigatória da formação, em geral de 4 a 6 por mês conforme o programa de cada especialidade, e aumentam a remuneração de forma significativa em relação ao salário base.
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